Maputo – O Governo moçambicano e organizações da sociedade
civil, que operam no país, defendem a aplicação de medidas proporcionais e
baseadas no risco no relacionamento com o sector bancário.
A iniciativa visa facilitar o acesso
aos serviços financeiros sem comprometer medidas de prevenção e combate ao
branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.
A necessidade de uma abordagem
diferenciada surge num contexto em que algumas organizações enfrentam
dificuldades na abertura de contas bancárias e na recepção de fundos
provenientes do exterior, processos que podem prolongar-se por vários meses e
comprometer a implementação de programas.
“Hoje, acreditamos que o
desenvolvimento do nosso país só é possível reduzindo desigualdades no acesso
aos serviços financeiros”, afirmou a secretária permanente do Ministério das
Finanças, Albertina Fruquia.
A fonte falava na abertura, hoje
(08), em Maputo, de um workshop entre o sector bancário e as organizações da
sociedade civil.
Defendeu a expansão do acesso a
produtos e serviços financeiros “inclusivos, acessíveis, sustentáveis e
seguros”, e destacou o papel da sociedade civil na promoção da literacia
financeira e na protecção dos consumidores.
Por sua vez, a activista social,
Paula Monjana, apontou as dificuldades enfrentadas pelas organizações na
abertura de contas e na recepção de recursos do exterior.
Afirmou que, em alguns casos, os
processos podem durar dois ou três meses.
“As organizações da sociedade civil
não devem ser tratadas como todas as outras instituições, mas devem ser com
base no risco”, afirmou Monjana.
Defendeu uma avaliação proporcional à
dimensão, capacidade e nível de risco de cada organização.
Segundo a activista, a demora na
disponibilização de fundos pode levar algumas organizações a perder
financiamentos, sobretudo quando os recursos se destinam a responder a
situações de emergência.
Edgar Cortes, assistente de direcção
na área de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao
terrorismo, no Banco emissor moçambicano, explicou que nem todas as
organizações da sociedade civil são classificadas como entidades de risco
elevado.
“As entidades que representam risco
baixo, as medidas serão mais relaxadas e devem ser mais relaxadas”, afirmou
Cortes.
Referiu que cabe às instituições
financeiras avaliar os clientes com base na informação disponível, na natureza
das transacções e nos financiamentos recebidos.
O workshop reúne representantes do
Governo, Banco de Moçambique, instituições financeiras, organizações da
sociedade civil e parceiros de cooperação, com o objectivo de promover o
diálogo sobre inclusão financeira, conformidade, protecção do consumidor e
prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.(AIM)