O Tribunal Administrativo (TA) atribuiu responsabilidades
políticas e administrativas a figuras de proa do Estado moçambicano devido à
ineficiência e às graves perdas financeiras resultantes da polémica venda de
duas aeronaves Embraer (ERJ 190) da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).
Na lista de apurados pelo TA destacam-se nomes sonantes da
governação, com destaque para Adriano Maleiane (então ministro da Economia e
Finanças), Janfar Abdulai (antigo ministro dos Transportes e Comunicações) e
Ana Senda Coanai (antiga PCA do IGEPE), além de antigos gestores da LAM como o
ex-director geral João Carlos Pó Jorge.
De acordo com as investigações, o processo de alienação que
culminou na venda dos aparelhos por cerca de USD 6,1 milhões, um valor
drasticamente inferior aos USD 62,2 milhões investidos inicialmente ou aos USD
24,6 milhões avaliados por peritos independentes foi marcado por profunda falta
de transparência. Conforme noticiado pelo jornal Savana, a auditoria apontou
que as aeronaves estiveram parqueadas durante dois anos em Nairobi, acumulando
custos avultados de manutenção e encargos conexos antes de serem transacionadas
em moldes desfavoráveis ao interesse público.
O relatório sublinha que a conduta dos gestores incorreu em
riscos de conluio, favorecimento indevido e alienação patrimonial lesiva ao
Estado, violando preceitos fundamentais da gestão empresarial pública. Face a
este cenário, o Tribunal Administrativo recomendou à LAM a criação de comissões
de supervisão técnica, jurídica e financeira mais apertadas, bem como a
instituição de mecanismos céleres e transparentes de avaliação e fixação de
cronogramas para evitar a repetição de danos financeiros estruturais.