Moçambique pretende alargar a cooperação com São
Tomé e Príncipe para além do domínio político-diplomático, com particular
atenção para as áreas de formação, comércio, agricultura e pescas.
A posição foi defendida hoje pela Primeira-Ministra Maria Benvinda Levi , em São Tomé e Príncipe, onde representou o
Presidente da República, Daniel
Francisco Chapo , na cerimónia de tomada de posse do Presidente reeleito daquele
país, Carlos Vila Nova .
Falando à imprensa moçambicana, o PM destacou a formação como uma
das áreas em que os dois países já mantêm uma cooperação efectiva, com
estudantes e quadros são-tomenses a beneficiarem de formação em Moçambique,
particularmente nos sectores da medicina, polícia e justiça.
Segundo Maria Benvinda Levi , existe abertura para o aumento das oportunidades de formação e do número de
bolsas disponibilizadas a São Tomé e Príncipe , incluindo no âmbito do Centro de Instrução de
Polícia, onde Moçambique actualmente concede bolsas anuais.
O Governante defendeu, contudo, que a cooperação bilateral deve
avançar para novas áreas, sobretudo a comercial, considerando que existem
potencialidades e necessidades complementares entre os dois países.
“Temos boas cooperações na área político-diplomática, mas as
outras áreas, fora desta da formação, não têm sido muito desenvolvidas”,
afirmou Maria Benvinda Levi, acrescentando haver “muitas possibilidades e
interesse de parte a parte para alargar a cooperação”.
No domínio comercial, a PM destacou o cacau e o café entre os produtos de São Tomé e Príncipe que
apresentam potencial para uma maior circulação, enquanto Moçambique apresenta
capacidades e oportunidades na área da agricultura que podem responder às
necessidades do mercado são-tomense.
A pesca constitui igualmente uma área identificada como
potencial para o reforço da cooperação e da troca de experiências, tendo em
conta a experiência são-tomense neste sector e na extensa costa marítima de
Moçambique.
Para concretizar estas oportunidades, o dirigente defende a
criação de mecanismos de trabalho entre os dois países que permitam identificar
necessidades e áreas prioritárias de intervenção.
“O importante é que os dois países formem equipas de trabalho e identifiquem
quais são as suas necessidades mais importantes”, sublinhou o PM, defendendo que, a partir dessa
identificação, os dois países possam avançar de forma mais segura e efectiva.
A Primeira-Ministra participou na Quinta-feira (03) na cerimónia
de tomada de posse de Carlos
Vila Nova , que inicia o seu segundo mandato como Presidente da República
Democrática de São Tomé e Príncipe, depois de ter sido reeleito, em Julho
passado, à primeira volta, com 55,88 por cento dos votos.
A cerimónia reuniu altas individualidades nacionais e
estrangeiras, entre as quais os Presidentes da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi , e do Gabão, Brice Clotaire Oligui Nguema , e os Primeiros-Ministros de Portugal, Luís Montenegro , da Guiné Equatorial, Manuel Osa Nsue Nsua , e de Marrocos, Aziz Akhannouch. (GPM)